O Preço de uma coleção
ou: Verme é uma desgraça
Por Morphosis - Quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Estava lá eu forçadamente arrumando minha coleção de HQ´S quando de uma maneira melancólica olho para aquele mundão de revistas e penso: Quanto dinheiro eu torrei com isso? Sejamos sinceros, praticamente todo mundo que possui coleção de algum tipo já pensou algo do gênero. Não importa se é coleção de HQ, Action Figures, Video-Games, bonecas ou miniaturas de carros. Você começa a olhar para a sua coleção e pensa nas coisas mais importantes que você poderia ter comprado ou então na quantidade de dinheiro que você teria juntado em uma poupança em todos esses anos de coleção. Mas essa não é a pior parte, então continuemos a minha epopéia.


Ao passo que a arrumação continuava comecei a perceber certo padrão. Achei a primeira publicação de Cavaleiro das Trevas no Brasil. Legal, sigamos em frente. Opa, agora encontrei o encadernado da Abril do Cavaleiro das Trevas. Perai, da onde surgiu essa republicação de Cavaleiro das Trevas? Mas heim? Outra republicação de Cavaleiro das Trevas? Da onde ta brotando essas revistas? Diacho, agora lembrei que tenho outro encadernado do Cavaleiro das Trevas! E agora, o que eu faço? Como uma pessoa normal escolho uma das versões e as outras vão para uma pilha a parte. Continuo arrumando as crianças. Enquanto isso é feito vão surgindo outras republicações dos mais diversos materiais e suas respectivas primeiras publicações por essas bandas. Piada Mortal, A Ultima Caçada de Kraven, Crise nas infinitas Terras, Batman Ano Um, e por aí vai. Chega certo momento que aparecem as revistas importadas e junto delas as respectivas edições nacionais: Casamento do Super-Homem (porque Superman é coisa de viadinho), Gen 13 até o numero 20 e pouco (aliás, alguém sabe até onde foi publicado isso no Brasil, pois com a bagunça de editoras meio que me perdi), Homem Aranha, Hulk, Capitão América, Mad, Wizard (americana, Globo, Panini), etc.

Nessa hora olho para o lado e a pilha alternativa está aumentando de uma maneira assustadora. Tenho a impressão que a qualquer momento ela vai olhar para mim e falar me alimente. Se isso acontecer pode apostar que eu corro, mas corro muito. O Flash vai parecer uma tartaruga perto de mim. Pois bem, passando o surto (mais ou menos, a pilha continua me olhando), vão surgindo edições duplicadas e em alguns casos triplicadas. Algumas até tem desculpa de existirem, pois antigamente era relativamente fácil conseguir revistas de cortesia das editoras. Hoje em dia nem com reza brava. Mas que diabos vou fazer com essas edições? Bem, escolho a que esta em melhores condições e as outras vão para a pilha (que começa a fazer uma curva meio estranha nesse momento).


Até esse ponto a pilha oficial já está arrumada, separada, catalogada, empacotada, encaixada,
enfim, pronta para ser guardada. Mas ainda tenho um problema pela frente: o que fazer com a pilha alternativa. Algumas opções surgiram. A primeira foi fazer uma fogueira santa, mas de cara foi descartada. Outra idéia: dar para amigos essa pilha amistosa e carinhosa que esta prestes a pular em cima de mim (tenho comigo que ela não gostou da ideia da fogueira santa). Acho essa idéia interessante, mas quem seria o escolhido? Depois de pensar bem essa idéia também foi pelo ralo, afinal não quero arrumar para a minha cabeça com namoradas/esposas dos meus amigos. Outra alternativa foi fazer uma generosa doação para a gibiteca. Algo interessante e legal de se fazer, ajuda a propagar a leitura com outras crianças e... perai! Um monte de crianças ranhetas colocando a mão nas minhas revistas? Nem a pau! Idéia descartada.
 

Volto para a estaca zero. Nesse momento a pilha já esta mais amigável comigo, pois percebeu que me importo com ela. Pego uma das revistas e começo a folhear para tentar ter alguma outra ideia do que fazer. Nesse momento parece que uma luz divina me atingiu e percebi que a revista em minhas mãos tinha no final alguns esboços da história, então eu não poderia me desfazer dela. Pego outra revista do monte e reparo que alguns balões estão com uma tradução diferente. Mas é claro, antigamente era necessário adaptar todo o texto para caber no balão, hoje em dia é só editar no computador e pronto. Também não posso me livrar dessa revista. E volto a ver uma por uma e a pilha alternativa vai se desfazendo, sobrando apenas algumas poucas revistas realmente repetidas (que não sei como cargas d´água consegui isso, duas iguais da para falar que uma eu ganhei de brinde, mas três???). Nesse ponto ficou fácil tomar uma decisão do que fazer com as restantes: escolho alguns amigos e dou as revistas para eles. Pronto, assunto resolvido. Quer dizer, quase, afinal tem que re-arrumar tudo novamente.


Tudo feito, catalogado, ensacado, encaixotado e guardado. Olho para a coleção tomando conta do quarto e digo para mim mesmo: dinheiro bem gasto. Concordo que poderia ter gasto com outras coisas, até mais importantes, mas tenho uma grande satisfação com essas revistas. Cada uma tem uma pequena história comigo. Algumas foram compradas em banca, outras achadas em sebo, outras herdadas. Tem revistas datadas de antes de eu nascer. Não é uma grande coleção, mas tem a sua importância. Pode ser que um dia eu precise realmente me livrar dessas revistas, mas enquanto não tem necessidade elas vão continuar comigo. [Pontonerd]


Morphosis
Aquele que tenta mas não consegue se livrar de nada




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